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Os
predadores constituem talvez os animais mais difíceis de se reabilitar
e devolver à natureza pois tem de ser preparados, física e
tecnicamente, para realizar as ações das quais dependem suas vidas:
perseguir e abater outros animais.
As aves de rapina, por
sua vez, constituem um problema ainda maior. Como exercitar um animal
cujo espaço de exercício é tão amplo quanto o céu? Como lhes ensinar a
perseguir presas variadas sem ter de sacrificar animais todos os dias?
A falcoaria possui a
resposta para essas questões. Na verdade, salvo em casos muito
específicos, é difícil falar em reabilitação responsável de aves de
rapina sem utilizar os conhecimentos e técnicas da falcoaria.
A falcoaria permite
desenvolver relações de tolerância da ave ao homem, conseguindo desta
forma uma diminuição do stress e uma maior facilidade no
manuseio destes predadores durante exercícios de perseguição de iscas
artificiais necessários ao seu condicionamento físico. Posteriormente,
esses vínculos com seres humanos podem ser suprimidos, garantindo que
essas aves, após sua soltura, não irão se aproximar de habitações em
busca de alimento.
Mas reabilitar é muito
mais do que exercitar e preparar aves para caçar por si próprias.
Antes de falar sobre
reabilitação, precisamos esclarecer a diferença entre alguns conceitos
importantes, muitas vezes confundidos pelo público: integração,
re-integração, introdução, re-introdução e soltura.
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Integrar um animal
significa torná-lo apto a manter-se de forma autônoma na natureza. A
palavra integração é utilizada para aves que nasceram ou se emplumaram
em cativeiro e que se pretende integrar à vida silvestre.
-
Re-integrar, por sua vez,
significa tornar novamente apto a manter-se de forma autônoma um animal
que já esteve livre antes de sua manutenção em cativeiro.
-
Introduzir significa
inserir uma espécie animal em um ambiente onde esta não ocorre
naturalmente. Esta é uma ação com conseqüências possivelmente danosas
e, na maior parte das vezes, responsável por desequilíbrios ambientais
graves, como os que hoje resultam da introdução do pardal (Passer
domesticus) no Brasil.
-
Re-introduzir significa
inserir uma espécie animal em um ambiente onde esta já ocorria
naturalmente, tendo sido extinta neste local pela ação do homem ou da
própria natureza.
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Finalmente, por soltura
entende-se a simples libertação do animal em um ambiente. A soltura é a
etapa final, que conclui um programa de integração, re-integração,
introdução ou re-introdução.
Mas o que significa
reabilitar? A reabilitação é o todo, a meta final para qual concorre
cada uma das ações descritas acima, as quais dependem, por sua vez, de
uma série de informações sobre ecologia, biologia, comportamento e
veterinária.
A atual importância da
falcoaria deve-se justamente à descoberta de que esta prática resume,
em si mesma, todas essas informações e técnicas tão necessárias à
reabilitação de aves de rapina.
Hoje, através das
práticas de falcoaria, os programas de integração, re-integração,
introdução ou re-introdução preparam as aves para sobreviver após sua
soltura, desenvolvendo sua forma física e técnica de caça,
restabelecendo suas funções orgânicas normais e combatendo estados de
carência nutricional, traumas sobre a estrutura óssea, enfermidades e
desvios de comportamento.
A falcoaria tornou
possível reabilitar até mesmo uma ave mutilada, sem capacidade de vôo,
por exemplo, inserindo-a em programas de reprodução em cativeiro ou
utilizando-a como elemento de sensibilização em projetos educacionais
que abordem a importância da conservação das aves predadoras,
restituindo e desenvolvendo sua estima pública, numa importante forma
de reabilitação muitas vezes esquecida pelos estudiosos..
A ABFPAR
realiza atividades de resgate e reabilitação de aves predadoras sob a
supervisão do IBAMA desde 1998, tendo recebido, desde então, as seguintes espécies de aves de rapina:
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Ordem
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Família
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Gênero
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Espécie
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Nome
comum
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Falconiformes
(Gaviões
e falcões)
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Accipitridae
(Gaviões)
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Leptodon
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cayanensis
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Gavião-de-cabeça-cinza
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-
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-
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Harpagus
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diodon
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Gavião-bombachinha
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-
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-
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Accipiter
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bicolor
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Gavião-bombachinha-grande
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-
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-
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Buteo
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albicaudatus
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Gavião-de-rabo-branco
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-
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-
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Rupornis
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magnirostris
|
Gavião-carijó
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-
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-
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Parabuteo-
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unicintus
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Gavião-asa-de-telha
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-
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-
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Leucopternis
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lacernulata
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Gavião-pomba
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-
|
-
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Buteogallus
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meridionalis
|
Gavião-caboclo
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-
|
-
|
Harpyhaliaetus
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coronatus
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Águia-cinzenta
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-
|
Falconidae
(Falcões)
|
Micrastur
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ruficollis
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Gavião-caburé
|
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-
|
-
|
Micrastur
|
semitorquatus
|
Gavião-relógio
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-
|
-
|
Milvago
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chimachima
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Carrapateiro
|
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-
|
-
|
Polyborus
|
plancus
|
Carcará
|
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-
|
-
|
Falco
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peregrinus
|
Falcão-peregrino
|
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-
|
-
|
Falco
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femoralis
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Falcão-de-coleira
|
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-
|
-
|
Falco
|
sparverius
|
Quiriquiri
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Strigiformes
(Corujas)
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Tytonidae
(Suindaras)
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Tyto
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alba
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Suindara
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-
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Strigidae
(Demais
corujas)
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Otus
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choliba
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Corujinha-do-mato
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-
|
-
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Pulsatrix
|
koeniswaldiana
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Murucututu-de-barriga-amarela
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-
|
-
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Glaucidium
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brasilianum
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Caburé
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-
|
-
|
Glaucidium
|
minutissimum
|
Caburé
miudinho
|
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-
|
-
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Speotyto
|
cunicularia
|
Coruja-buraqueira
|
|
-
|
-
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Rhinoptynx
|
clamator
|
Coruja-orelhuda
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